Os números do iPhone no Brasil
A Predicta divulgou esta semana dados sobre o acesso à internet móvel no Brasil. Os números da consultoria informam que a quantidade de acessos à internet via iPhone foi praticamente igual à soma de todos os outros PDAs e celulares em fevereiro.
Foram contabilizadas informações de 25 sites que representam mais de 90% dos acessos à internet no país. Antes de divulgá-los aqui, confirmei se os números do iPhone (por acaso) incluíam também o iPod Touch, já que se a medição fosse feita por navegador poderia resultar numa medição "não muito justa". E pior que não! É só iPhone mesmo! Dos mais de 200 mil acessos em fevereiro, metade deles foram feitos pelo celular da Apple que nem é vendido oficialmente no Brasil (ao contrário do iPod Touch) e ainda obriga o usuário a "correr riscos" ao desbloqueá-lo para usar com uma operadora nacional.
Não vejo muito graça ver os dados sobre crescimento da plataforma. Menos de um ano atrás o iPhone nem era vendido nos EUA, portanto o "crescimento" teria mesmo que ser absurdo. O interessante é ver os números (e nos gráficos do Keynote). Depois do lançamento, o desbloqueio ainda demorou um pouco e aí sim, a possibilidade de usar o iPhone em outras operadoras mexeu com o bolso de muitos usuários fora dos EUA. Embora os números de acesso não reflita exatamente o números de usuários e aparelhos, já dá para perceber que os brasileiros estão indo com sede ao pote.

O iPhone foi grande responsável pelo crescimento do tráfego da internet móvel no Brasil nos últimos meses. Em fevereiro o aparelho chegou a 50% do total e ajudou a dobrar o número total de acessos registrados em setembro. Enquanto os demais aparelhos juntos registraram um aumento em torno de 37 mil acessos, o iPhone cresceu 97 mil no mesmo período. Sozinho! E já que em fevereiro a diferença entre iPhone e demais plataformas ficou em pouco mais de mil acessos, a tendência é que em março ele supere os concorrentes como já faz nos EUA.

Na terra do Tio Jobs, digo, do Tio Sam, o iPhone já é responsável por 71% do acesso à internet por smartphones (de um total de "101%"! Esse gráfico foi apresentado na semana passada junto com o novo SDK). O valor está longe da parcela do mercado conquistado pelo celular da Apple, o que caracteriza o usuário de iPhone como muito mais ativo que o usuário de outros aparelhos.

Ainda assim, os números das vendas impressionam (gráfico acima). Oito meses após sua estréia, a Apple já é a segunda colocada no mercado americano de smartphones, perdendo apenas para a RIM, fabricante do BlackBerry, e bem a frente da Palm e Motorola. No entanto, desses 28% conquistados, uma parte não deve estar mais nos EUA. Estima-se que 1/4 dos iPhones tenham sido ilegalmente desbloqueados, muitos deles para ser usados em países onde a Apple ainda não o lançou oficialmente. Na França, onde a Apple fez parceria com a Orange e a lei obriga a comercialização de uma versão desbloqueada, ele é vendido por 749 euros para uso em qualquer operadora, quase o triplo do preço americano subsidiado, o que faz muita gente preferir o desbloqueio de chip não convencional.
Se a proporção de acessos por aparelho nos EUA estiver se repetindo aqui no Brasil, o iPhone já teria em torno de 10 a 20% do mercado nacional de smartphones, porém não existem números oficiais, já que os usuários brasileiros só puderam comprar iPhones no exterior (ou de revendedores não autorizados no Brasil).
Mesmo com um percentual tão alto não dá para saber se esses acessos via iPhone superam outros países a ponto de colocar o Brasil na mira da empresa. Nós nem temos a iTunes Store que é usada para ativação do aparelho e isso já coloca o Brasil atrás de 22 países. Já surgiram rumores de acordos da Apple com praticamente todas as grandes operadoras (a última foi a Vivo), mas com as novas regras da Anatel que obrigam o desbloqueio de aparelhos a coisa parece ficar ainda mais difícil, seja no acordo com a operadora ou no preço do aparelho.
A Apple já anunciou que o modelo de uma parceria por país não é o único estudado por ela e que poderá ter acordos com mais de uma operadora em um mesmo lugar, mas se o iPhone chegar aqui somente na versão desbloqueada vai custar um braço, uma perna e dois olhos da cara. E isso porque o dólar está baixo!