Posted by Marcelo Chermont on terça-feira out 27, 2009
O que acontece quando um blogger canadiano da comunidade de P2P decide unir forças com um dos músicos britânicos mais reconhecidos pelo seu activismo social e político? O resultado chama-se Artist 2 Fan 2 Artist ou a2f2flia.com, um projecto online da responsabilidade de Jon Newton do P2PNet e de Billy Bragg, um dos poucos membros da associação de artistas britânicos Featured Artists Coalition (FAC) a defender a legalização da partilha de ficheiros protegidos por direitos de autor para fins não comerciais.
O a2f2a visa iniciar um debate aprofundado directamente entre artistas e fãs sobre modelos de negócio sustentáveis para a música digital. Para tal, eles partem de uma premissa essencial: “Os artistas precisam de ser recompensados e os fãs querem pagar-lhes.” A ideia de Newton e Bragg é deixar de lado todos os inúmeros “intermediários” da indústria musical como editoras de discos, publishers e managers, que acabam sempre por complicar em vez de ajudar. Em concreto, o site tem como missão:
- Ajudar cada uma das comunidades a conhecerem-se melhor uma à outra;
- Ajudar a encontrar um sistema funcional e pragmático que ofereça aos artistas uma remuneração justa em troca do acesso dos fãs ao seu material; e
- Ajudar a determinar a agenda sobre as discussão acerca do papel que o P2P pode desempenhar no interior da indústria discográfica digital em ascensão.
De facto, se alguma coisa a história do P2P ao longo destes últimos dez anos nos ensinou é que os intermediários têm sempre a mania de deturpar o debate e e redundar todo o diálogo num maniqueísmo simplista em que existem aqueles que estão dispostos a pagar os montantes exorbitantes exigidos pelas editoras e aqueles que não querem nem nunca vão querer pagar por nada.
Mas a questão é que a realidade não é assim tão básica; ela é antes muito mais complexa do que isso e fazer-nos convencer do contrário é cair numa demagogia barata. Para além do mais, a verdade é que actualmente ainda é bastante difícil para os fãs terem a certeza de que a maioria do dinheiro que estão a pagar pelo download de uma música ou por um CD vai de facto parar às mãos do artista. Isto porque ainda não existe nenhuma plataforma de música online que ofereça esse tipo de garantias. Daí a importância de um espaço para debates como o a2f2a.
Posted by Marcelo Chermont on quinta-feira jul 30, 2009
Os subscritores da operadora britânica de telemóveis Orange que marcarem o número 247 terão a possibilidade de optar por uma série de playlists à escolha elaboradas pela equipa do canal aberto de televisão digital 4Music do Channel 4 a partir de centenas de milhares de músicas pertencentes à Universal Music Group. O serviço chama-se Monkey e é a mais recente proposta da indústria discográfica para fazer com que os fãs de música entre os 16 e os 24 anos continuem a pagar – ainda indirectamente – pela música que ouvem.
A ideia parece interessante na medida em que dá justamente aos clientes da Orange a impressão de que se trata de um serviço grátis. Mas na verdade, não é bem assim e as inúmeras restrições que a operadora coloca não abonam nada em seu favor, como explica o analista da Forrester Mark Mulligan. Em primeiro lugar, para poder ser acedido, os clientes têm que carregar mensalmente o seu cartão pré-pago com pelo menos 10 libras (11,72 euros).
E embora as chamadas sejam de facto grátis, os clientes apenas podem ouvir 600 minutos de música por mês (o que dá uma média diária de 20 minutos por dia e corresponde a cerca de 14 álbuns). Outro inconveniente é que as playlists são transmitidas com uma qualidade áudio de 64 Kpbs (um bitrate bastante inferior aos 128 Kbps da maioria dos serviços).
Em suma: a Orange e a Universal arranjaram uma forma bastante engenhosa de “sacar” dinheiro dos jovens por um serviço que para além de não ser verdadeiramente grátis implementa limites de utilização temporais que já não fazem grande sentido para as gerações mais novas. E se quiserem ficar mesmo com a música que ouviram, terão que gastar mais dinheiro na compra do download na loja de música da Orange. Os únicos motivos de “consolo” para os clientes da Orange residem na possibilidade de criarem eles próprios até oito playlists que poderão ser partilhadas com os restantes assinantes da operadora via telemóvel, email ou redes sociais e de acederem a conteúdos exclusivos como faixas inéditas, concursos, entrevistas com artistas e playlists.
Posted by Marcelo Chermont on sexta-feira jul 3, 2009
A insanidade no seio das fileiras da indústria discográfica está a atingir proporções abismais com a divisão de publishing da EMI a rejeitar as novas tarifas de royalties a aplicar aos serviços de streaming pela PRS For Music que esta sociedade de gestão colectiva de direitos de autor introduziu no Reino Unido em Maio passado para alívio de várias empresas de música online.
Como a major não aceita o novo valor mínimo de 0.085 pences face aos anteriores 0,22 pences, ela decidiu remover os seus direitos de reprodução mecânica da PRS. Ou seja, a partir de agora a EMI está disposta a cobrar os seus próprios royalties directamente junto dos serviços de streaming de música, como refere o site PocketLint, que explica que com esta medida a companhia pretende obter tarifas mais altas.
Nós não estamos actualmente satisfeitos com as novas tarifas – em particular a tarifa mínima – propostas pela PRS for Music para os serviços de streaming e não achamos que sejam apropriadas,” comentou Antony Bebawl, conselheiro geral da EMI Music Publishing para o continente europeu.
O pior de tudo é que tudo indica que a Universal Music Publishing e a Sony/ATV, duas outras grandes firmas do sector de publishing, também não estejam satisfeitas com as novas tarifas. Mais uma vez, as majors estão desta forma a cavar a sua própria sepultura. Porque sem o recurso à máquina administrativa de uma sociedade de gestão colectiva como a PRS for Music elas acabarão por ficar com menos do que a nova tarifa mínima proposta.
Para além do mais e tendo em conta que os valores inicialmente propostos pela PRS – nomeadamente nas negociações com a YouTube cujo fracasso levou o site de partilha de vídeos a bloquear o acesso dos utilizadores britânicos a milhares de videoclips – eram tão ou mais irrealistas como os que a EMI almeja agora cobrar, esta notícia só revela que há quem nunca aprenda com os erros.
(foto de chrislee-cm segundo licença CC-BY-ND 2.0)