Posted by Marcelo Chermont on quinta-feira jul 16, 2009
Desde há uns tempos que as grandes editoras se convenceram de que devem forçosamente convencer os fãs de música a deixarem de comprar CDs para passarem a adquirir downloads digitais no iTunes. Mas a verdade é que, apesar da descida das vendas das pequenas rodelas de plástico e da subida concomitante dos downloads, os CDs continuam a representar o grosso das receitas da indústria discográfica.
Não admira por isso que o CD continue a ser o formato preferido para ouvir música. Embora não seja preciso ser nenhum génio para chegar a esta conclusão, a empresa de estudos de mercado The Leading Question deu-se ao trabalho de em parceria com a consultora Music Ally realizar uma pesquisa junto de mil fãs de música britânicos com idades compreendidas entre os 14 e os 64 anos e acesso a uma ligação de banda larga em casa para averiguar em concreto essa hipótese:
- 73 por cento dos inquiridos afirmaram que continuam a preferir os CDs aos downloads;
- 66 por cento no caso dos indivíduos entre os 14 e os 18 anos de idade continuam a preferir os CDs;
- 59 por cento de todos os fãs de música continuam a ouvir CDs diariamente;
- A gravação de CDs entre amigos é o método mais popular para partilhar música entre amigos (23%), seguida das transferências via bluetooth (18%),da partilha de faixas individuais (17%) e de álbuns (13%).
Assim, se a primeira parte da pesquisa da The Leading Question revelou uma ligeira descida da partilha de ficheiros, estes dados demonstram que os consumidores britânicos não passaram de um momento para o outro a adquirir música em lojas tradicionais. Eles apenas se limitaram a recorrer aos amigos para partilhar música entre si através de CDs rippados. Compreende-se porquê: é muito mais seguro e sempre se tem a certeza de que as tags ID3 dos ficheiros são as correctas.
O resto do estudo está também igualmente repleto de dados evidentes, nomeadamente de que aqueles que usam serviços de música digital como plataformas de streaming e subscrições tendem a gastar mais dinheiro em CDs do que os restantes:
- Aqueles que estão a pagar por um serviço de subscrição de música digital (como o Napster ou o Musicstation) gastam mais dinheiro por mês em CDs do que a maioria dos fãs de música (16,87 libras – 19,59 euros — por mês face a 11,37 libras – 13,20 euros).
- Os que escutam diariamente música via streaming a partir do seu computador gastam também mais dinheiro em CDs (12,17 libras por mês – 14,13 euros) e downloads (7,02 libras por mês – 8,15 euros – face a uma média mensal de 3,81 libras – 4,42 euros) do que a maioria dos fãs de música.
Mesmo assim, apesar de não trazer nada de novo esta pesquisa tem pelo menos o mérito de consciencializar as editoras da importância de uma oferta legal de música online tendo em conta o enorme contributo que estes serviços podem ter nas vendas de música. Não estamos perante uma canibalização de um suporte pelo outro mas sim de uma forma de experimentar música nova de modo a fazer escolhas mais acertadas a respeito das despesas com música. Mas isso todos nós já sabíamos ou não?
(foto de nickwheeleroz segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
Posted by Marcelo Chermont on quinta-feira jul 16, 2009
Desde há uns tempos que as grandes editoras se convenceram de que devem forçosamente convencer os fãs de música a deixarem de comprar CDs para passarem a adquirir downloads digitais no iTunes. Mas a verdade é que, apesar da descida das vendas das pequenas rodelas de plástico e da subida concomitante dos downloads, os CDs continuam a representar o grosso das receitas da indústria discográfica.
Não admira por isso que o CD continue a ser o formato preferido para ouvir música. Embora não seja preciso ser nenhum génio para chegar a esta conclusão, a empresa de estudos de mercado The Leading Question deu-se ao trabalho de em parceria com a consultora Music Ally realizar uma pesquisa junto de mil fãs de música britânicos com idades compreendidas entre os 14 e os 64 anos e acesso a uma ligação de banda larga em casa para averiguar em concreto essa hipótese:
- 73 por cento dos inquiridos afirmaram que continuam a preferir os CDs aos downloads;
- 66 por cento no caso dos indivíduos entre os 14 e os 18 anos de idade continuam a preferir os CDs;
- 59 por cento de todos os fãs de música continuam a ouvir CDs diariamente;
- A gravação de CDs entre amigos é o método mais popular para partilhar música entre amigos (23%), seguida das transferências via bluetooth (18%),da partilha de faixas individuais (17%) e de álbuns (13%).
Assim, se a primeira parte da pesquisa da The Leading Question revelou uma ligeira descida da partilha de ficheiros, estes dados demonstram que os consumidores britânicos não passaram de um momento para o outro a adquirir música em lojas tradicionais. Eles apenas se limitaram a recorrer aos amigos para partilhar música entre si através de CDs rippados. Compreende-se porquê: é muito mais seguro e sempre se tem a certeza de que as tags ID3 dos ficheiros são as correctas.
O resto do estudo está também igualmente repleto de dados evidentes, nomeadamente de que aqueles que usam serviços de música digital como plataformas de streaming e subscrições tendem a gastar mais dinheiro em CDs do que os restantes:
- Aqueles que estão a pagar por um serviço de subscrição de música digital (como o Napster ou o Musicstation) gastam mais dinheiro por mês em CDs do que a maioria dos fãs de música (16,87 libras – 19,59 euros — por mês face a 11,37 libras – 13,20 euros).
- Os que escutam diariamente música via streaming a partir do seu computador gastam também mais dinheiro em CDs (12,17 libras por mês – 14,13 euros) e downloads (7,02 libras por mês – 8,15 euros – face a uma média mensal de 3,81 libras – 4,42 euros) do que a maioria dos fãs de música.
Mesmo assim, apesar de não trazer nada de novo esta pesquisa tem pelo menos o mérito de consciencializar as editoras da importância de uma oferta legal de música online tendo em conta o enorme contributo que estes serviços podem ter nas vendas de música. Não estamos perante uma canibalização de um suporte pelo outro mas sim de uma forma de experimentar música nova de modo a fazer escolhas mais acertadas a respeito das despesas com música. Mas isso todos nós já sabíamos ou não?
(foto de nickwheeleroz segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
Posted by Marcelo Chermont on sexta-feira jul 3, 2009
A insanidade no seio das fileiras da indústria discográfica está a atingir proporções abismais com a divisão de publishing da EMI a rejeitar as novas tarifas de royalties a aplicar aos serviços de streaming pela PRS For Music que esta sociedade de gestão colectiva de direitos de autor introduziu no Reino Unido em Maio passado para alívio de várias empresas de música online.
Como a major não aceita o novo valor mínimo de 0.085 pences face aos anteriores 0,22 pences, ela decidiu remover os seus direitos de reprodução mecânica da PRS. Ou seja, a partir de agora a EMI está disposta a cobrar os seus próprios royalties directamente junto dos serviços de streaming de música, como refere o site PocketLint, que explica que com esta medida a companhia pretende obter tarifas mais altas.
Nós não estamos actualmente satisfeitos com as novas tarifas – em particular a tarifa mínima – propostas pela PRS for Music para os serviços de streaming e não achamos que sejam apropriadas,” comentou Antony Bebawl, conselheiro geral da EMI Music Publishing para o continente europeu.
O pior de tudo é que tudo indica que a Universal Music Publishing e a Sony/ATV, duas outras grandes firmas do sector de publishing, também não estejam satisfeitas com as novas tarifas. Mais uma vez, as majors estão desta forma a cavar a sua própria sepultura. Porque sem o recurso à máquina administrativa de uma sociedade de gestão colectiva como a PRS for Music elas acabarão por ficar com menos do que a nova tarifa mínima proposta.
Para além do mais e tendo em conta que os valores inicialmente propostos pela PRS – nomeadamente nas negociações com a YouTube cujo fracasso levou o site de partilha de vídeos a bloquear o acesso dos utilizadores britânicos a milhares de videoclips – eram tão ou mais irrealistas como os que a EMI almeja agora cobrar, esta notícia só revela que há quem nunca aprenda com os erros.
(foto de chrislee-cm segundo licença CC-BY-ND 2.0)